UERJ 2016- Questões comentadas: Língua Portuguesa Instrumental

Começamos hoje a série de comentários acerca dos  exames discursivos da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).  O  vestibular  da estadual do Rio acontece em  duas  etapas  e  a  segunda está  marcada para o dia  11 de  dezembro. Nessa fase, há dois modelos de  provas de Língua  Portuguesa: Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e a de Língua Portuguesa Instrumental  com  redação.

TEXTO I

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QUESTÃO 1

Chegar à sensibilidade do público, causando empatia, desconforto e revolta  ativa, o que é objetivo de  qualquer militância antiviolência, demanda não  apenas reproduzir a  verdade dos  fatos.(l. 17-19)

Transcreva dois outros elementos, presentes no penúltimo parágrafo, que seriam necessários para “chegar à  sensibilidade do público”, além da reprodução da  verdade dos  fatos.

Padrão de resposta oficial:

“Saber  narrar”.  “Haver um receptor disposto  a  entender.”

Comentários:

O candidato deve sempre ler os textos motivadores e o enunciado com  atenção. A prova da UERJ, por ser discursiva, é  diferente do modelo utilizado no ENEM e  essa não  é a  única  diferença: a  banca explicita muito  bem a ação esperada do estudante. Na primeira  questão do  vestibular aplicado em  29 de novembro de  2015,  o  comando era  o verbo  transcrever –  apenas  isso!

 

QUESTÃO 2

Na conclusão apresentada  no  último  parágrafo, há uma  enumeração de palavras.

Considerando a leitura global do texto, explique de que maneira a enumeração contribui para a construção da conclusão. Indique, ainda, o  risco sugerido pelo autora  nesse último  parágrafo.

Padrão de resposta oficial:

A enumeração reúne os  fatos citados.  O  autor alerta  para o risco de  os  massacres continuarem.

Comentário:

Uma  característica  das provas da UERJ  é apontar  em  que  trecho do texto o candidato deverá procurar as respostas. Note  que , na  questão  1,  a banca também  usou  esse  recurso ao   indicar que  a  solução estava no  penúltimo  parágrafo.  Na  segunda questão,  também   podemos  dizer que   há  o  risco de  os  massacres serem  esquecidos e, por isso,  continuarem.

QUESTÃO 3

A mensagem não  é  nada sem  um receptor disposto a entendê-la, por mais pungentes que sejam as vítimas. (l.19-20)

Reescreva o trecho  acima, substituindo o conectivo da parte sublinhada por outro de mesmo sentido e fazendo as adaptações necessárias. Em seguida, aponte o sentido estabelecido pelo conectivo  empregado.

Padrão de resposta oficial:

  • A mensagem não é  nada sem  um receptor  disposto a entendê-la, embora as vítimas  sejam  muito pungentes.
  • A mensagem não é nada sem um receptor disposto a entendê-la, ainda que as vítimas  sejam  muito pungentes.
  • A mensagem não é nada sem um receptor disposto a entendê-la, mesmo que as vítimas sejam muito pungentes.

Sentido: concessão.

Comentário:

Antes  de  responder, o candidato deve se perguntar o  que  são conectivos e  quais  são as  relações de sentido estabelecidas por eles. Ele deverá se lembrar que os conectivos são as conjunções que ligam as orações, estabelecendo conexões nos  períodos  compostos e  também as preposições, que ligam um vocábulo a outro.

Nessa  questão, o conectivo utilizado na substituição foi uma conjunção subordinativa adverbial concessiva. No  período composto em que  ela  aparece,  estabelece-se uma relação semântica de concessão;  isto  é, uma  particularidade  que poderia, em  princípio,  impedir a  realização do  fato expresso  na  oração principal, mas  não a impede.  São  concessivas  as conjunções que, embora,  conquanto e também as  locuções ainda que, mesmo que, bem que, se bem que, nem que, apesar de que, por mais que, por menos que.

Texto II

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Vocabulário:

¹ aludiu — referiu-se a

²alpercata — tipo de  sandália

³ arreda — afaste-se

QUESTÃO 4

Além da limitação de  não saber “falar direito”, o  texto sugere outros  fatores que tornam a  comunicação um problema para o  menino.

Explicite dois desses  fatores.

Padrão de  resposta  oficial:

Duas  das respostas:

  • falta de interlocutores.
  • ausência de diálogo com os  pais.
  • falta de confiança nos  interlocutores.
  • desconhecimento de palavras do  mundo adulto.

Comentário:

A questão traz um fragmento da obra  Vidas secas, de  Graciliano  Ramos —  uma  das principais obras da  Terceira Geração Modernista.  Uma das características  mais  marcantes desse  romance é  o  destaque  para a  maneira como os  protagonistas comunicam-se  entre  si;  no  trecho destacado,  a ênfase  é a  falta de comunicação existente  entre o filho  mais  novo e  os  pais — Fabiano e  Sinhá Vitória.

QUESTÃO 5

No  último parágrafo, apresenta-se a reflexão do  menino sobre duas formas de convencimento que se opõem, para tentar estabelecer aquela  que  o  convença melhor.

Identifique essas duas formas de convencimento. Em seguida, apresente um aspecto que, do ponto de  vista do  menino, tornaria  uma  das  formas de convencimento  mais  válida do  que a outra.

Padrão de resposta oficial:

O convencimento pelo  uso da palavra e  aquele obtido pelo uso da força física.

Uma das respostas:

  • Uso de  argumento de autoridade.
  • Referência a  uma experiência  vivida.

Comentário:

As respostas  esperadas pela  banca de correção correspondem  ao trecho  “Se houvesse feito  menção de qualquer  autoridade invisível e  mais  poderosa, muito  bem. Mas  tentara convencê-lo dando-lhe um cocorote, e  isto  lhe parecia absurdo” (l.27-28).

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Andréa Motta

Professora de Língua Portuguesa e Literatura no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Professora voluntária de Língua Portuguesa e Redação no Pré-vestibular Comunitário Padre José Maurício Nunes Garcia.