Estrutura das palavras – radicais

abelha

Abelha (radical latino “api”; daí,  apicultor)

Quando afirmamos que pratos é um substantivo masculino plural ou  que viver é um verbo de segunda  conjugação, nós o fazemos, pois observamos elementos estruturais característicos dessas formas. Essas marcas são  chamadas de  morfemas.  Os elementos mórficos são: radical, vogal  temática  desinências, afixos, consoantes e vogais de ligação. Hoje, observaremos  os radicais.

O radical é  o morfema que contém o significado básico da palavra e a ele podem ser acrescidos outros  elementos mórficos, como as desinências e os afixos;  é o  que acontece  na série casa, casebre, casarão, caseiro.   Por   terem  o mesmo radical e uma significação comum,  dizemos  que pertencem a  uma  família de  palavras. As palavras  que compõem uma  mesma família  são  chamadas de  cognatas.  Vejamos  outros  grupos de palavras cognatas: régua, regra, regular, irregular; corpo, corpinho, corpanzil, corpúsculo, corporal, incorporação, corpanzil; fugir, fuga, refúgio.

 

radicais

Como   já  dissemos no texto História da língua, o português  é uma  língua  neolatina. Ainda assim,  há um  grande número de radicais gregos que foram incorporados pelo  latim clássico e  pelo latim vulgar.  Observemos alguns radicais gregos  presentes na língua  portuguesa:

 

acro – alto: acrópole

aero – ar : aeroporto

anemo- vento: anemômetro

angelo – mensageiro: evangelho

antropo- homem: antropófago, antropólogo

aritmo – número: aritmética

auto – próprio: automóvel

cosmo – mundo : cosmologia

cromo – cor: cromossomo, cromolitografia

deca-  dez: década, decalitro

filo(e) – amigo: filosofia, Felipe

fobia – medo: acrofobia

hemi  – metade: hemisfério

hipo – cavalo: hipódromo, hípico, hipismo

geo – terra: geologia, geografia

gine – mulher: ginecologista

melo- canto: melodia

metro- medida: cronômetro, barômetro, cronômetro

meso-   meio: mesóclise,  Mesopotâmia

mito –  lenda: mitologia

necro-  morto: necrópole, necrotério

neo – novo:  neologismo

 

A maioria do léxico da língua portuguesa apresenta radical  latino, embora alguns se apresentem ainda em sua forma erudita.

 

agri – campo: agricultura

ambi – ambos:ambidestro

api – abelha: apicultor

arbori- árvore: arborizar

beli – guerra: bélico

cado – que cai:  cadente, decadência, decadente

cola – que habita: silvícola

fico- que faz ou produz:  benéfico

fide – fé: fidelidade

frater-  irmão: fraternal, fraternidade

gero- que  contém  ou  produz: lanífero

ludo- jogo: ludoterapia, ludíco

mater – mãe: maternidade, maternal

multi – muitos: multinacional

opera – obra: operário

pluri – muitos: pluricelular

silva – floresta: silvícola

vídeo – que vê: vidente

volo – bem:  benévolo

voro –  que come: carnívoro

 

Não se deve confundir palavras cognatas com  aquelas  que apenas aparentam ter o mesmo radical – falsos cognatos. É o que  temos  em palavras  como faminto (com fome) e famigerado (famoso).

 

 

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Andréa Motta

Professora de Língua Portuguesa e Literatura. Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro.

Comentários

  1. e as palavras que não apresentam o mesmo radical quando derivadas de um mesmo radical base. Falo de alguns verbetes.

  2. Ola gostaria de saber pq alguns gramáticos dizem que o conceito de raiz e radical só interessa a gramatica histórica.

    1. Ranieli, não é que interesse SÓ à gramática histórica, mas a raiz e o radical são os elementos mórficos que nos mostram a história da língua. Obrigada pela visita ao blog!