Um pouco de história da língua portuguesa

 

 

 

Latim vulgar e latim clássico

 

Sabemos que a língua portuguesa origina-se no latim; mas que parte do latim? Como se deu essa transformação? Que influências a língua romana sofreu até transformar-se na língua portuguesa? O que origina a língua portuguesa e as demais línguas românicas (espanhol, francês, italiano, romeno, catalão, provençal, reto-romano, dalmático e sardo) é o latim vulgar; mas o que exatamente é esta variação do latim? Como se observam as mudanças que originaram outras línguas? Para responder  a  estas perguntas serão  publicados  quatro artigos.


A língua latina teve sua origem na região do Lácio ( Itália). Era a língua utilizada pelos romanos e apresentava dois aspectos: o clássico e o vulgar, que foram chamados pelos romanos de sermo urbanus e sermo vulgaris, respectivamente. A variação chamada clássica era destinada aos escritos literários, aos discursos políticos, conforme notamos nas obras de escritores como Cícero, e caracterizava-se pelo apuro gramatical. A língua vulgar (que, em latim, significa povo) era usada  como  língua familiar e pelas pessoas de pouca instrução da sociedade romana e, com a expansão territorial, por todo o Império Romano. Nesta categoria estavam os marinheiros, soldados, artífices, agricultores, barbeiros, homens livres e escravos sem a instrução das academias. Nesta variante estavam as gírias das várias profissões e os vocábulos incorporados por empréstimos lingüísticos decorrentes das conquistas militares.

Uma vez que a variação vulgar da língua não era considerada digna das boas letras, os estudiosos de filologia românica buscam informações a seu respeito em outras fontes: trabalhos de gramáticos que a utilizaram para demonstrar as formas equivocadas; obras dos comediógrafos que empregavam as formas do vulgo para representar a fala do povo iletrado; inscrições tumulares; documentos redigidos por copistas descuidados; tábuas execratórias (pequenas placas de chumbo, bronze estanho, mármore ou terracota que continham fórmulas de encantamento e maldição). Outro importante meio para se chegar à forma vulgar do latim eram as “glossas”, listas de palavras que apareciam acompanhadas de formas correspondente no padrão culto.

Referência bibliográfica:
  • COUTINHO, Ismael de Lima. Gramática histórica. 7.ed. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1996. p. 29-40.
Aguarde o   próximo artigo   sobre a  história  da  língua portuguesa!

Andréa Motta

Professora de Língua Portuguesa e Literatura no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Professora voluntária de Língua Portuguesa e Redação no Pré-vestibular Comunitário Padre José Maurício Nunes Garcia.

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