[ Produção textual] Como fazer uma boa argumentação

Como já dissemos no texto Como fazer uma boa dissertação – parte 2, o texto dissertativo é “o mais pedido pelas bancas em concursos públicos, pois é uma modalidade que permite ao corretor avaliar a capacidade de organização textual do candidato”. Naquele texto e no anterior,  apresentamos algumas dicas que não podem ser esquecidas em  provas como o ENEM, por exemplo. Geralmente, as bancas de concursos públicos pedem ao candidato que escreva uma dissertação de caráter argumentativo. A dúvida é: como elaborar uma boa argumentação? É o que tentaremos responder neste texto.

Em diversas situações do  dia a dia, usamos a argumentação: uma conversa entre amigos ou uma negociação  no ambiente de trabalho pode ter como  objetivo convencer nosso  interlocutor de que estamos cheios de razão acerca de algum tópico. No texto dissertativo, expressamos o que conhecemos sobre determinado tema e tentamos  convencer o  leitor sobre  a nossa opinião. Nesse modo discursivo, é  possível expor ideias das quais discordamos ou não. Othon Moacir Garcia, em seu livro Comunicação em Prosa Moderna, diz que “argumentar é, em última análise, convencer ou tentar convencer mediante a apresentação de razões, em  face da evidência das provas e à luz de um raciocínio coerente e consistente”  (2007, p. 380). Na argumentação – lembra-nos, ainda o professor – não vele usar xingamentos, sarcasmos e ironias. É preciso demonstrar  raciocínio consistente e evidência por meio de provas.

Os manuais de redação costumam trazer a seguinte orientação: evite generalizações. É inadequado utilizar expressões como “Todo mundo  sabe que…”. Como isso pode ser comprovado? Fizemos  uma pesquisa e chegamos  a essa conclusão?  As declarações que exprimem opinião só tem validade quando esta puder ser fundamentada por evidência de fatos.

São cinco os tipos mais comuns de evidência: os fatos, os exemplos, as ilustrações, os dados estatísticos e o testemunho. Os fatos são o elemento mais importante da argumentação. O candidato pode, por exemplo, dizer que “as drogas são um problema de segurança pública” e  fundamentar sua opinião citando casos em que o uso de entorpecentes provocou algum tipo de violência.

Os exemplos são fatos representativos de  determinada situação. A estudante Isadora Faber é um exemplo típico – e divulgado na mídia – de resistência à precariedade da educação brasileira. A menina virou assunto nas redes sociais depois de ter publicado  uma página para denunciar a má qualidade da escola em que estudava.

ilustração, segundo o  professor Othon, acontece “quando o exemplo  se alonga em uma narrativa detalhada e entremeada de descrições” (2007, p. 381).  Ela pode ser hipotética ou real. A primeira é uma invenção do redator , que narra aquilo  que poderia acontecer; a segunda, descreve um fato  verdadeiro que sustente determinada declaração. Pode ser feita por referência a fatos  históricos, obras de ficção de  cunho social, cujo  enredo  pode ser resumido como estratégia ilustrativa.

Os dados estatísticos também são fatos. É preciso, no  entanto,  cautela  ao  usá-los como suporte à argumentação. Nem sempre o candidato tem acesso aos dados totais da pesquisa e sua argumentação acaba por parecer falha.

testemunho pode ser o  fato apresentado por intermédio de  terceiros. Um bom  exemplo  disso  é a citação que  fizemos acima sobre o professor Othon  Moacir Garcia.

Em breve, publicaremos  novas dicas de como elaborar um bom texto argumentativo. Para ver os  artigos  sobre  produção textual , clique AQUI.

 Referência:

GARCIA, O.M. Comunicação em prosa moderna.  27. ed. Rio de Janeiro: 2007.

 

 

 

Andréa Motta

Professora de Língua Portuguesa e Literatura no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Professora voluntária de Língua Portuguesa e Redação no Pré-vestibular Comunitário Padre José Maurício Nunes Garcia.

Comentários

  1. excelente matéria,muito bem arquitetada com uma porção de informações indispensaveis para uma boa redação