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O que é coesão textual?

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A coesão  textual  é como  uma corrente ou como as costuras de um tecido:  se um elo se parte ou  se uma costura sai  do   lugar, o  texto fica mal construído. O que  fazer, então, para estabelecer a coesão? Quais são os mecanismos  gramaticais utilizados?

Elementos  coesivos são palavras ou expressões cuja função é estabelecer relações lógicas entre as partes do texto – como  os conectivos – ou   fazer referência a outros elementos presentes no  texto – pronomes, advérbios,  sinônimos. Vejamos  um trecho  de Aritmética da Emília, de Monteiro Lobato:

Aquele célebre passeio  dos netos  de Dona  Benta ao País da Gramática havia deixado o  Visconde  de Sabugosa pensativo. É que   todos já  tinham  inventado viagens menos ele. Ora, ele era um sábio famoso e, portanto, estava na obrigação de  também  inventar uma viagem e das mais científicas. Em vista disso, pensou uma semana inteira, e por fim bateu na testa, exclamando  numa risada verde de sabugo embolorado:

- Heureca! Heureca!

Emília, que   vinha entrando do  quintal,  parou , espantada, e depois começou a berrar de alegria:

-  O  Visconde achou! O  Visconde achou! Corram  todos! O Visconde achou!

A gritaria foi tamanha que Dona Benta, Narizinho e  Pedrinho acudiram  em  atropelo.

-Que  foi? Que aconteceu?

- O Visconde achou! – repetia a boneca entusiasmada. – O danadinho  achou!…

- Mas achou que coisa, Emília?

- Não sei. Achou. Só. Quando entrei na sala, encontrei-o batendo  na testa e exclamando:”Heureca”. Heureca é  uma  palavra grega que quer dizer “achei!”. Logo, ele  achou.

 

 Observe as palavras destacadas no texto. A que elas se referem? Em “Aquele  passeio…”,  o pronome  demonstrativo  faz alusão  passeio  que a turminha do  sítio fizera ao  País da Gramática; em “todos  já  tinham inventado…”, o pronome indefinido também faz referência aos personagens; em “menos ele”, o pronome pessoal substitui Visconde de Sabugosa, assim como  acontece em “encontrei-o”; “Em vista disso” substitui todo o  trecho em que o  narrador conta a ideia do sabugo de  milho. Tais  informações são  facilmente notadas pelo leitor e são resultados do uso de  recursos de coesão  textual.

A coesão  estabelece relações de sentido. Alguns autores citam alguns fatores de coesão e veremos  alguns deles: a referência, a substituição e a conjunção.

Coesão  referencial

A referência pode  ser pessoal, demonstrativa, comparativa.  A pessoal é  feita por meio de pronomes pessoais e possessivos (“Quando entrei na sala, encontrei-batendo  na testa”); a demonstrativa utiliza pronomes demonstrativos de advérbios de lugar (“Aquele célebre passeio  dos netos”);  e a comparativa é  feita por meio de  similaridades, como  aparece em  um outro  trecho da obra:” A minha viagem é um  pouco  diferente das outras“.

Substituição

A substituição  consiste na colocação de um termo  em  lugar de outro ou uma oração inteira. É um recurso  que  evita a repetição de um termo  em  particular, como  sugerimos  em  Como  evitar repetições no  texto?.

Conjunção

A conjunção estabelece relações entre termos ou orações em um texto. As conjunções adas como  elementos coesivos são  as aditivas, adversativas,  causais e temporais: “Quando entrei na sala, encontrei-o batendo  na testa.”

Leia também no blog:

Como  escrever com objetividade?

 

 

 

 

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Andréa Motta

Professora de Língua Portuguesa e Literatura. Especialista em Teoria Literária pela UERJ. Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro.

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5 Comentários

  1. Laurindo Stefanelli 22 de julho de 2011 at 22:26

    Lendo seu texto aprendi novas maneiras de unir os elos das minhas correntinhas de letras. Beijos.

  2. monica 6 de junho de 2012 at 18:03

    e chaaaaatoooooo demaiiiiiiisssssssssss

  3. Caio 24 de abril de 2013 at 15:03

    Redação – O terror de quem não lê o.O

  4. CAROLINE 15 de julho de 2014 at 8:24

    essas professoras inventam cada coisa ccccccccccccccchhhhhhhhhhhhaaaaaaaaaaaatttttttttttttttttttooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

    • Andréa Motta 15 de julho de 2014 at 11:05

      Caroline, o que você achou tão chato ou não compreendeu no texto? Seja mais específica!

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