Contrações – a pergunta do leitor

Quem tem acompanhado  o Conversa de  Português já sabe  que  há aqui  uma  série  chamada  “Qual é  a sua  dúvida?” , através da qual  são respondidas perguntas enviadas  pelos  leitores. Recebi, nesta  semana,   a seguinte pergunta de um  leitor do blog:

 “Na escola aprendi que “em”/”de”+”um”=”num”/”dum” (pelo menos assim lembro) e muitas vezes, quando um texto meu é editado para publicação a versão que surge é a separada. Afinal, aglutinam-se os termos ou não? Há quem como que o corrija e há quem deixe passar… Nunca sei qual escrever para ser correto!”

Quando  recebi esta mensagem,  lembrei-me de  um artigo  publicado  pelo  professor Evanildo  Bechara, em  22 de  outubro de   1993,  em publicação intitulada”O Mundo Português”;  ali o gramático fazia considerações  sobre a construção “Está na  hora da  onça (ou de a onça ) beber água?” e uma de suas frases é que  tais   usos vão além  da noção de certo ou  errado. Como meu leitor  não enviou uma  frase que me  servisse  de  exemplo,  tentarei ser  suscinta ao  explicar os   diversos  usos  destas  formas.

Às  formas  enviadas pelo  leitor dá-se o nome  de  contração; ou seja,  o encontro  de  uma  preposição com um  artigo ou pronome. Há casos, no entanto, em  que a contração  é obrigatória, mas  em alguns ela  é  considerada  facultativa. Quando  a  preposição de encontra-se com  o artigo definido definido ou pronome   iniciado  por   vogal, ocorre a  contração ( A casa do  menino… ;a  casa dele…). No entanto,  com os  artigos  indefinidos, substantivos e certos  pronomes  iniciados  por vogal esta  contração é FACULTATIVA, o que não justifica as correções  feitas nos  textos de  meu  leitor (A  moça gostou  de uma  blusa./ A moça gostou duma blusa.). Há casos, porém, em que  a contração não é recomendada pelos  gramáticos.
Naquelas orações que se constroem  em  torno  de  um verbo no infinitivo, não é  recomendado o uso  da contração. Vejamos  o seguinte exemplo: É hora de os alunos  saírem. / Está na  hora dos  alunos  saírem. A segunda construção é  rejeitada  pela  maioria  dos  gramáticos com  o argumento  de que  o sintagma os alunos é  o sujeito  do  verbo sair, portanto não poderia  haver  contração entre aquele artigo e  a  preposição.

Andréa Motta

Professora de Língua Portuguesa e Literatura no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Professora voluntária de Língua Portuguesa e Redação no Pré-vestibular Comunitário Padre José Maurício Nunes Garcia.

Comentários

  1. O leitor se satisfez 🙂
    Obrigado!

    E, aos meus editores, leiam as palavras aqui publicadas:
    «com os artigos indefinidos, substantivos e certos pronomes iniciados por vogal esta contração é FACULTATIVA, o que não justifica as correções feitas nos textos de meu leitor»

    hehehe
    Vou reencaminhar, a partir de hoje os meus editores para aqui 😉

    Obrigado!

  2. Quando usar a contração da perposição “no” e “do”? A minha dúvida continua!!!
    por exemplo Clima do Brasil e Clima no Brasil