Ocorre crase diante de nomes de lugar?

Recebi de  um leitor do Conversa de  Português  uma mensagem  em  que  ele perguntava sobre a ocorrência de crase antes do nome de  uma determinada cidade*.  O exemplo era   mais   ou  menos  assim: “Presidenta Dilma Roussef chega hoje à Araguari“. O leitor queria saber se estava  correto o uso do acento grave.

Como já expliquei  em   outros  textos, crase  não é o nome  do  acento, mas  sim  o nome do  fenômeno fonético  que  ocorre devido à  contração de duas  vogais idênticas; neste caso, o artigo feminino A e a  preposição A. Na  língua  portuguesa, tal  fenômeno é  indicado  graficamente pelo acento grave ( ` ).

O  que  determina  a ocorrência da crase?

É a regência do  verbo ou do   nome (termo que abrange, em gramática, os substantivos, advérbios  e adjetivos) que  indicará se  o uso da  preposição antes do artigo feminino é  necessário ou  não.  Veja  no  quadro abaixo alguns  dos  usos:

Quadro originalmente publicado em 04/03/2009.

 

 E como fica  a regência  com  os  nomes de lugares?

 A  gramática normativa determina  que   o  acento grave  não seja  utilizado, mas  isso  vale  para todos os  nomes de  cidades? Não! A regra apenas  indica  que a  maioria dos  nomes  de lugares (quaisquer que sejam) não é acompanhada por  um artigo.  E isso  é fácil de  verificar, como   podemos observar  nos exemplos  abaixo:

Volto de  Araguari.   Estive em Araguari. Chego a Araguari.

Moro em São Paulo. Volto de São Paulo. Vou a São Paulo.

Veja abaixo casos em   que o artigo feminino  se contrai** com as preposições de e  em: 

Moro da Mooca. Volto da Mooca.  Vou  à Mooca.

Volto da Itália. Estive  na  Itália.  Vou à Itália.

 

Observações:
*   Com nomes de  cidade, havendo especificativo, ocorrerá crase. Ex.: Iremos à   bela   São Paulo.

** Contração é o fenômeno por  meio do qual as preposições a, de, em e per (forma arcaica de por) se  unem a  artigos  ou  pronomes, havendo a perda ou transformação de fonemas da preposição.

 

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Desde as  5h  ou  desde  às  5h?

Andréa Motta

Professora de Língua Portuguesa e Literatura no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Professora voluntária de Língua Portuguesa e Redação no Pré-vestibular Comunitário Padre José Maurício Nunes Garcia.

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