A importância do ato de ler

Em comemoração ao 6º aniversário do Conversa de  Português, eu convidei  autores muito especiais para  compartilhar  esse momento comigo:  meus  ex-alunos. A primeira a atender  meu convite foi Thaiza Silva, que  enviou  o texto A importância do ato de ler.  

Thaiza,  obrigada e  seja bem-vinda ao Conversa de  Português!

Prof. ª Andréa Motta

 

 

Quem é Thaíza

Fui convidada pela professora Andréa Motta para escrever um artigo em comemoração ao 6º aniversário do blog Conversa de Português. No ano de 2007, fui sua aluna no CEFET Química (atual IFRJ, campus Nilópolis) e cursei o técnico em Química por cerca de um ano e meio.

Desde que me entendo por aluna, sou uma amante da Língua Portuguesa. Por isso, quando optei por iniciar o Ensino Médio cursando o ensino técnico em Química, não demorei muito para perceber que aquela área não tinha nada a ver comigo. Foi então, que mesmo com um certo pesar, decidi abandonar o curso e retomar o Curso Normal. Atualmente, sou professora da rede municipal da Prefeitura de Mesquita e me formo no fim do ano em Letras (Português/Espanhol) na UFRRJ.

Ao ser convidada pela professora Andréa, optei por um tema que não permeia só o universo das Letras, mas sim o universo de todos aqueles que encontram na leitura um refúgio. Sendo assim, encerro agradecendo imensamente o convite e desejando que os leitores do blog possam aproveitar o texto ao melhor estilo leitura de fruição.

A leitura do mundo

 

A importância da leitura se faz presente em nossas vidas desde a infância, momento que nos reconhecemos como sujeito atuante neste mundo e momento que começamos a compreender e interagir com o mundo à nossa volta.

Segundo Paulo Freire (2006, p.9), “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”. Assim, buscamos constantemente decifrar o sentido das coisas que nos cercam, de interpretar o mundo sob diferentes perspectivas, de relacionar a realidade ficcional com a que vivemos, no contato com um livro, enfim, em todos estes casos estamos, de certa forma, lendo – embora muitas vezes não nos demos conta disso.

A atividade da leitura não corresponde a interpretação de símbolos, apenas. Mas sim saber tecer relações e compreender o que se lê. “A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto.” (FREIRE, 2006, p.11)

O ato de ler

 

Quando entendemos a necessidade do conhecimento prévio de mundo para a compreensão da leitura, podemos inferir o caráter subjetivo que essa atividade assume.

Nesse processo de apreensão do texto, tornam-se imprescindíveis também alguns conhecimentos prévios do leitor: os linguísticos, que correspondem ao vocabulário e regras da língua e seu uso; os textuais, que englobam o conjunto de noções e conceitos sobre o texto; e os de mundo, que correspondem ao acervo pessoal do leitor. Numa leitura satisfatória, ou seja, na qual a compreensão do que se lê é alcançada, esses diversos tipos de conhecimento estão em interação. Logo, percebemos que a leitura é um processo interativo.

Daí em diante, podemos iniciar a reflexão sobre o relacionamento leitor-texto. Já dissemos que ler é, acima de tudo, compreender. Para que isso aconteça, além do já referido processo de compreensão da leitura e conhecimentos prévios necessários a ela, é preciso que o leitor esteja comprometido com sua leitura. O leitor não pode ser um sujeito passivo, ele precisa manter um posicionamento crítico sobre o que lê. Quando considera a essa necessidade, o leitor se projeta no texto, levando para dentro dele toda sua vivência pessoal, com suas emoções, expectativas, seus pré-conceitos etc. E é a partir disso que consegue ser tocado pela leitura.

Mediante isto, a única fronteira para a ampliação da leitura é a própria imaginação do leitor; é ele mesmo quem constrói as imagens acerca do que está lendo. Quanto maior for a capacidade do leitor de “fantasiar” e viajar pelo mundo da leitura, mais prazerosa essa será. E além de proporcionar reflexão e bem-estar, ela também nos acrescenta conhecimento e cultura.

Desse modo o ato de ler se configura como um poderoso e essencial instrumento libertário para a sobrevivência do homem.

 

REFERÊNCIA

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 48. ed. São Paulo, Cortez, 2006.