Monteiro Lobato

Hoje, 18  de abril de  2011, comemora-se  129º aniversário de  Monteiro  Lobato, cujas obras infantis são consideradas  um marco  para a literatura infantil e  juvenil  brasileira.  Sua primeira obra dedicada às crianças, Narizinho Arrebitado – Segundo  livro de  leitura para   uso  das  escolas  primária,  foi  publicada em 1921.   Com  uma tiragem  inicial de 55.000  exemplares, a  obra  foi  um sucesso na época e o  governo  do estado de  São  Paulo transformou-se no  principal comprador de Lobato, adquirindo  30.000 exemplares.

Veja  o que  Lobato declarou  sobre a  produção literária  brasileira:

“A nossa Literatura Infantil  tem  sido, com poucas exceções, pobríssima de arte, e cheia de  artifício – fria, desengonçada, pretensiosa. Ler algumas  páginas de certos  livros de leitura equivale, para rapazinhos espertos, a uma  vacina preventiva contra os  livros futuros. Esvai-se o desejo de procurar emoções em  letra de forma; contrai-se o  horror do impresso […]. Felizmente, esboça-se uma reação  salutar. “

Em  1922, Lobato  publicou  a obra Fábulas,  uma adaptação “abrasileirada” da obra do francês  Jean de La Fontaine,  publicada por  sua editora Monteiro  Lobato & Companhia.  Lobato considerava que  as moralidades contidas nas  fábulas  não eram  compreendidas de imediato pelo   público  infantil, que  estaria  muito  mais  interessado  na diversão  da leitura. Assim, no  texto de Lobato, Dona Benta fazia a leitura e os  moradores do sítio debatiam  sobre o  texto.

Leia   abaixo a fábula A formiga  má, adaptação de Monteiro  Lobato  para a fábula A cigarra e a formiga, de Jean de La Fontaine:

A formiga má

Já houve entretanto, uma formiga má que não soube compreender a cigarra e com dureza a repeliu de sua porta.
Foi isso na Europa, em pleno inverno, quando a neve recobria o mundo com seu cruel manto de gelo.
A cigarra, como de costume, havia cantado sem parar o estio inteiro e o inverno veio encontrá-la desprovida de tudo, sem casa onde abrigar-se nem folhinhas que comesse.
Desprovida, bateu à porta da formiga e implorou – emprestado, notem! – uns miseráveis restos de comida. Pagaria com juros altos aquela comida de empréstimo, logo que o tempo o permitisse.
Mas a formiga era uma usurária sem entranhas. Além disso, invejosa. Como não soubesse cantar, tinha ódio à cigarra por vê-la querida de todos os seres.
– Que fazia você durante o bom tempo?
– Eu…eu cantava!…
-Cantava? Pois dance agora, vagabunda! – e fechou-lhe a porta no nariz.
Resultado: a cigarra ali morreu entanguidinha; e quando voltou a primavera o mundo apresentava um aspecto mais triste. É que faltava na música do mundo o som estridente daquela cigarra, morta por causa da avareza da formiga. Mas se a usurária morresse, quem daria pela falta dela?
.—
“Os artistas – poetas, pintores, escritores, músicos – são as cigarras da humanidade”.

 

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Andréa Motta

Professora de Língua Portuguesa e Literatura no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Professora voluntária de Língua Portuguesa e Redação no Pré-vestibular Comunitário Padre José Maurício Nunes Garcia.

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