Paradoxo

 

fosforo

“Amor é fogo que arde sem  se ver…” (Luís de Camões)

 

Paradoxo  ou oxímoro é uma  figura de linguagem  caracteriza pela associação de ideias contraditórias. Se compararmos a definição gramatical a uma  situação cotidiana, é  paradoxal  eu dizer que não gosto de roxo e aparecer vestida com  tal cor.

O poeta  Luís de Camões  fez uso de  tal  figura  de linguagem na construção de seu soneto mais conhecido:

 

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

 

Note que  o poema do poeta português é construído a partir de  metáforas e paradoxos. Aquelas são introduzidas pela expressão  “Amor é…” (é fogo,  é ferida, é contentamento, é nunca contentar-se, é  cuidar  etc) e estes traduzem, no  texto  a confusão sentimental provocada pelo  amor (ferida que dói e não se sente, contentamento descontente, andar solitário entre as gentes…).

 

Vinícius de Moraes  também utilizou  oximoros em seu poema Operário em construção.

 

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as asas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa quer ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

Andréa Motta

Professora de Língua Portuguesa e Literatura no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Professora voluntária de Língua Portuguesa e Redação no Pré-vestibular Comunitário Padre José Maurício Nunes Garcia.