Lexicografia: como uma palavra vai parar no dicionário?

O professor de Língua Portuguesa sempre ouve alguém  dizer  que “se uma palavra não está no dicionário, é sinal de que ela não existe”. A teoria é falsa e só demonstra o quanto precisamos  aprender sobre a evolução da língua (qualquer língua!).

Há alguns dias, eu e meus alunos debatíamos sobre o processo de formação das palavras e nos perguntávamos por que algumas palavras são  dicionarizadas e outras não, por que umas formas são aceitas naturalmente e outras são recusadas. Foram os meus alunos  que  lembraram do  mau hábito de algumas pessoas acharem que a palavra só existe se  estiver registrada no dicionário e citaram exemplos como deletar, tuitar,  blogar e outras recém-criadas pelos internautas. Eu, como sempre, lembrei-lhes  que a língua oral é mais dinâmica do  que qualquer gramática ou dicionário.  Um dos meninos  fez-me a seguinte pergunta: “Mas, prof… (Eles insistem em dizer “prófi”) Como uma  palavra vai parar no dicionário?”

Chamamos léxico ao conjunto de palavras  de uma  língua, dicionarizadas ou não.  A Lexicografia é o campo de estudos responsável  pela elaboração dos dicionários. A Academia Brasileira de Letras apresenta a seguinte definição: “Por lexicografia se entende a arte de fazer um dicionário e por lexicologia a ciência que estuda e descreve o léxico de uma língua.”

A inclusão de determinada palavra em  um  dicionário  ocorre se esta respeitar as regras ortográficas e morfológicas da língua. Outro  fator  importante para a inclusão  é a aceitação da nova palavra pela comunidade. O que  temos visto, nos últimos anos, é a crescente criação de palavras – neologismos –  ou aportuguesamento de termos próprios da internet. A nova edição do Dicionário Aurélio já  inclui essas inovações  vocabulares, assunto  que  já  foi abordado pela professora Natália Prado em seu texto Eu tuito, tu tuitas, o Aurélio tuita, no  blog  Observatório Linguístico. (Atualização em 31/08/2014:  o link  para o texto foi retirado, pois a  professora citada excluiu o   blog.)

Andréa Motta

Professora de Língua Portuguesa e Literatura no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Professora voluntária de Língua Portuguesa e Redação no Pré-vestibular Comunitário Padre José Maurício Nunes Garcia.

Comentários

  1. Os dicionários são lerdos para registrar as palavras de modo geral, não apenas os neologismos mais recentes. Dias atrás, descobri, com surpresa, que palavras como “triúno” e “apologeta”, que são usadas há décadas, não estão nos dicionários. Outra raiva que dá é que os dicionaristas gastam páginas e páginas para registrar palavras como “chão”, “porta”, “parede”, cujo significado todo mundo conhece, e deixa tantas outras tão necessárias de fora. Lerdo!