Sala de aula – Variedades linguísticas

O  que são variedades linguísticas?  O que  é  preconceito   linguístico? Afinal,  o que é erro e acerto   no uso da língua? O que  é o português   padrão e  por que  é   chamado assim? Para  responder a  tais perguntas, propus aos meus  alunos do primeiro ano do Ensino Médio  a  leitura de A língua de Eulália, obra  do linguista  Marcos Bagno,  já   citada  aqui  no   Conversa.

O item  do  programa  a ser contemplado era variedades   linguísticas e  eu   não apresentei antes nenhum  outro material sobre o assunto; apenas  pedi  aos alunos  que  lessem  o livro. O trabalho  foi  realizado em três  etapas:

1. Leitura do  livro, produção  textual e publicação on line. Utilizo, como  recurso para a disciplina Língua  Portuguesa, uma rede  social criada no site Ning. Na  primeira etapa  deste trabalho, os alunos produziram  individualmente  textos sobre  o livro A língua  de  Eulália. Além  dos  textos,  era  possível publicar vídeos e  outros materiais que  pudessem  enriquecer o trabalho.

2. Debate. O debate foi mediado pelos grupos, que  apresentaram à turma os temas dos capítulos lidos e propuseram  a discussão sobre as ideias do autor. Foi  o   momento  mais rico de  todo  o  processo.

3. Leitura comparativa e produção textual sobre  outro  texto.  Os alunos receberam  cópia de resenha sobre o livro  Preconceito linguístico – o que é,  como se  faz,  também do linguista Marcos  Bagno. Como  tarefa,  fizeram a  releitura  do livro de trabalho, buscando  nele  os tópicos referentes aos  oito mitos da  linguagem sobre  os quais o professor  escreve em Preconceito linguístico.

 

Para  ler a resenha oferecida aos  alunos, clique AQUI.

 

Andréa Motta

Professora de Língua Portuguesa e Literatura no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Professora voluntária de Língua Portuguesa e Redação no Pré-vestibular Comunitário Padre José Maurício Nunes Garcia.

Comentários

  1. Oi.Eu fiz um trabalho na faculdade com esse livro do Marcos Bagno,eu achei interessante.Entretanto ele vê muito defeito nos gramáticos,será que é normal os linguísticas achá-los arrogantes e os gramáticos não gostarem do ensino dos linguísticos.Lá na faculdade eu sentia um clima de rivalidade.Você vê essa rivalidade também?

    Abraços,Lúcia
    29/04/010

  2. Excelente postagem, Andréa, e excelente também o seu trabalho com os seus alunos. Parabéns! Abraços!

  3. Olá Andréa

    É super interessante essa questão da variação linguística, pena que na educação tradicional ainda se preconize as ideias dos gramáticos ortodoxos, só vi sobre este tema na faculdade, acho ruim ter tido esse conhecimento tão tarde, deveriamos aprender a desmitificar estes mitos e preconceito linguistico desde cedo. Fazes muito bem em repassar este conteúdo, quanto mais gente souber melhor.

    Certa vez fiz até um texto sobre este tema no meu blog, se puderes ler e dá sua opinião a respeito dele, eu ficaria muito grata. Eu ainda pretendo revisá-lo, pois notei já alguns erros nele, mesmo assim te passo o link, para caso queira ler.

    http://escritosideologicos.blogspot.com/2010/03/preciso-ser-gramatico-pra-escrever.html

    Abraços

  4. Infelizmente, ainda existem colegas com a ideologia de que, fora da gramática normativa, não existe vida inteligente. Devemos ensinar aos nossos alunos que existem variantes linguísticas e que não existe certo ou errado e, sim, o adequado e o inadequado para uma determinada ocasião. Sendo assim, eles precisam dominar algumas regras gramaticais para utilizá-las em ocasiões específicas. Como professores, não podemos também desprivilegiar o conhecimento linguístico dos alunos, que foi adquirido na sua convivência familiar.
    Abraços!

  5. Vou trabalhar este assunto agora em maio com alunos no laboratório de informática, estou pensando como trabalhar este tema.

  6. Queridas, obrigada pela visita!
    Lúcia, eu não vejo o posicionamento de gramáticos e linguístas como uma "rivalidade", mas como visões diferentes sobre o uso da língua.

    Ana, eu já conhecia esse seu texto, mas não lembro como cheguei a ele.

    Fátima, fiquei curiosa: como será a abordagem do tema no laboratório de informática?

    Maria Lúcia, obrigada mais uma vez por sua visita.