Dia Mundial do Meio Ambiente e Monteiro Lobato

Hoje, dia  5 de  junho,  é considerado o   Dia  Mundial  do  Meio Ambiente; a data  foi criada  pela  Organização das  Nações Unidas (ONU) em   1972, ocasião em que se  reuniram    113 países para refletir  sobre  o uso  consciente de recursos  naturais e a  ação  do homem sobre o meio ambiente. Muitos anos antes dessa   conferência, o   escritor  Monteiro Lobato  mostrou-se preocupado com  questões  ambientais que ainda   hoje nos  incomodam.
Em 1918,  José Bento Monteiro  Lobato  publicou  sua  célebre  obra   Urupês;  o livro  tornou-se  de tal modo   importante que, em  1943, duas  leis _ uma   federal  e  outra estadual _ alteraram  o nome  do município  Mundo Novo (SP)  para  Urupês.  A edição   de 1951,  publicada  pela  Editora  Brasiliense, contém  a   referência  a esses  decretos e   registra a  existência de  outras  duas  cidades com  o mesmo  nome  em  homenagem ao  escritor: uma  na   Bahia e  outra no  Rio Grande  do   Sul.
O   livro é  uma coletânea de 14 contos que  tratam  da   vida do   caboclo brasileiro. No prefácio  da  segunda edição, datado  de setembro de 1918,  o escritor  apresenta uma cena vivenciada  por  ele em    1914:
[…]
Em  1914,  nos primeiros  meses da  guerra, o autor não passava de   um lavrador, incrustado na   Serra da Mantiqueira. Terrível  ano de  seca foi  aquele!  O fogo lavrou  durante  dois meses a fio, com furia infernal. O céu  toldado, o ar  espesso, o crepitar permanente  das matas em   chama, a   fumarada invadindo a casa,  os  olhos  a arderem…
Um   fim de mundo.
E sempre  notícias  más, a toda  hora.
(LOBATO,  1951, p. 231)
Páginas  depois,  Lobato  fala  novamente de  incêndios  na  mata e demonstra sua preocupação com  o  solo:
Preocupa a  nossa gente  civilizada o conhecer em quanto    fica na   Europa por  dia, em  francos e  centimos, um  soldado em guerra, mas   ninguém cuida de  calcular   os prejuízos de    toda   sorte advindos  de  uma  assombrosa  queimada destas. As  velhas camadas de humus destruídas; os sais  preciosos que, breve,  as  enxurradas  deitarão fora, rio  abaixo, via  oceano; o rejuvenescimento florestal do solo paralisado e retrogadado; a destruição das  aves silvestres e o possível advento de  pragas   insetiformes; a alteração para peor  (sic) do clima com a  agravação crescente das  secas; os vedos e aramados  perdidos o gado morto ou  depreciado  pela  falta  de pastos; as  cento  e uma  particularidades que dizem respeito  a esta ou  aquela zona e, dentro delas, a  esta   ou  aquela  “situação “ agrícola.
Isto, bem  somado, daria  algarismos de apavorar; infelizmente no  Brasil subtrai-somar, ninguém  soma…
(Idem. p.  234)
Não apenas  em   Urupês  Lobato demonstrou  sua preocupação  com  a terra; em  O poço do  Visconde, obra  publicada  em 1937  e  destinada ao   público infantil,  a questão  ambiental  também  estava presente, porém de maneira  mais  sutil.  Nesta  obra, o  foco  era  a campanha a   favor da exploração  de  petróleo  em  solo  brasileiro.

Fonte de pesquisa:

LOBATO, Monteiro. Urupês. 5.ed. São Paulo: Brasiliense, 1951. (Série  Obras  Completas  de  Monteiro  Lobato, 1)

 

Andréa Motta

Professora de Língua Portuguesa e Literatura no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Professora voluntária de Língua Portuguesa e Redação no Pré-vestibular Comunitário Padre José Maurício Nunes Garcia.