Malungos na escola

 

Em 9 de   janeiro de   2003,  o presidente da república,  Luiz Inácio Lula da  Silva,  sancionou a   Lei Nº 10.639 , que  torna obrigatório o ensino sobre  História e Cultura Afro-Brasileira; é a mesma lei que   determinou o  dia    20 de  novembro como  “Dia  Nacional da  Consciência Negra”. A princípio, ninguém sabia muito  bem como trabalhar o tema em obediência  ao novo artigo da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/96). Entre  os  professores, a  percepção era  a de que   todos   nós  deveríamos  buscar  fontes  sobre esse assunto e, antes de   trabalhar com os alunos, rever os nossos   conceitos sobre o  que  é  a  África e sua  cultura.O que, afinal, diz a Lei  10.639 e o que o professor  deve  saber sobre a   cultura  afro-brasileira? Respondendo a  essas  perguntas o professor  Edimilson de Almeida  Pereira escreveu o  livro Malungos  na  escola – Questões sobre  culturas afrodescendentes e educação, publicado pelas  Edições  Paulinas.

 

A Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996,  estabelece a  obrigatoriedade de as escolas oficiais e   particulares ensinarem História e Cultura Afro-Brasileira;  um decreto  de 2007 determina, ainda,  a   inclusão de cultura  indígena. Diz  um trecho da  lei:

 

§ 1º O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.

Apesar de  o  texto da  lei   conter  a  expressão “história  e  cultura”, entendeu-se  que  não apenas  o  professor de  História  deverá   cumprir tal determninção, mas   todos nós. Malungos  na  escola – Questões sobre  culturas afrodescendentes e educação, escrito pelo   professor   Edimilson Pereira,  vem ao encontro da  necessidade de atualização dos   milhares de  professores  que  terão de  se  adaptar ao   novo currículo  escolar.  Malungo é, segundo o  autor, o termo   usado  pelos   escravos  para  “nomear   um companheiro  durante  uma  viagem  nos navios  negreiros”.

 

O    livro é dividido em  três partes e  mais   um capítulo  de  entrevistas  com  autores  afro-brasileiros contemporâneos. Na  primeira  parte do   livro,   o autor dedica-se à   diversidade  cultural , a  análise  de alguns  pontos  dos  currículos  escolares e  o sagrado no  cotidiano   brasileiro.   O  professor   analisa  a estrutura  das  famílias   brasileiras,  as  presenças  africanas em nossa  cultura.
A   segunda   parte do   livro  é  dedicada às   manifestações  culturais de  origem   africana, como o Congado e  o  Candombe (vocábulo semelhante  a  Candomblé, mas  com  características diferentes). Neste capítulo, aparecem  as  cantigas e  as  relações  sociais    trazidas  com  a celebração do Congado.

 

A última  parte  analisa  o panorama  da literatura afro-brasileira  e  a  poesia  contemporânea. O  autor dedica-se  à  produção   literária  dos séculos  XVIII ao   XX, a partir do debate  sobre o significado da  expressão “literatura  negra ou afro-brasileira”.
Edimilson de Almeida  Pereira é  pós-doutor  em  Literatura  Comparada e atualmente é professor   titular  da Faculdade de  Letras da  Universidade   Federal de  Juiz de  Fora.

 

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PEREIRA, Edimilson  de  Almeida.  Malungos  na  escola – Questões sobre  culturas afrodescendentes e educação.  São Paulo: Paulinas,  2007. 311p.

Este   livro  pode  ser  adquirido  nas  Livrarias Saraiva, Cultura e Travessa.  Venda  e entrega são  responsabilidade das  livrarias.

Saraiva: http://compre.vc/v2/1315e636d95

Travessa:   http://compre.vc/v2/131c8524116 (Versão e-book)

Cultura:  https://goo.gl/8BVJgd (Versão e-book)

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Atualizado em  11/05/17.

Andréa Motta

Professora de Língua Portuguesa e Literatura no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Professora voluntária de Língua Portuguesa e Redação no Pré-vestibular Comunitário Padre José Maurício Nunes Garcia.

Comentários

  1. Oi, Andréa. Obrigado por linkar meu blog. Podemos trocar várias idéias! Além disso, adorei a formatação do seu blog. Está muito profissional e gostoso de ler. Oxalá se todos os professores blogueiros fizessem o mesmo. Deu para perceber que você manja do assunto, hehe. Um abraço.

  2. Sobre o post, acho que afeta diretamente meu trabalho. Penso que devo estar constantemente buscando referencial bibliográfico para aprofundar as questões sobre a História da África. E o livro de Edimilson Pereira é uma excelente referência. Um abraço

  3. Michel, obrigada pela visita e pelo comentário elogioso. Quanto à formatação, o template é da Juliana Sardinha.

  4. Cara professora
    Nunca tive um bom professor de portuques, alias nao tive nem mesmo um razoavel professor de portuques, Por isso escrevo muito mal.Espero um dia consequir escrever em portuques tao bem quanto eu escrevo em Ingles. E facil escrever em Ingles para comecar nao existem acentos graficos.
    Seu blog e muito bom e me ajuda bastante
    Boa sorte e sucesso
    Nona