Floberla Espanca

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A  editora  do blog  Interlúdio  sugeriu, há  algum  tempo, uma   nova   blogagem  coletiva, Interlúdio com  Florbela , cujo objetivo é  homenagear  a  poetisa  portuguesa  Florbela  Espanca, nascida em   8 de  dezembro de  1894 e morta em 1930.
Florbela   nasceu  no Alentejo. Era   filha de Antónia  da  Conceição  Lobo e  João Maria  Espanca. Não se  sabe  o motivo, mas   João só a  reconheceu  como  filha legítima 19 anos  após  sua  morte, apesar de  tê-la educado com  a segunda  esposa, a após  a  morte de  Antónia.  A poetisa fora, então, registrada como  “filha de  pai incógnito”, assim  como o irmão Apeles  Espanca.
Florbela    graduou-se em  Letras, em  1917 e, no mesmo  ano,  matriculou-se   em  Direito.  Durante  sua  graduação teve  contato com  importantes  intelectuais e  publicou sua  primeira  obra: Livro  de  Mágoas. Sua   obra não apresenta características  que a  prendam a  um momento literário específico, mas  é fortemente  marcada  por   um caráter  confessional, em  que  se  podem ver  as  frustrações , os desejos  da poetisa.

Lágrimas ocultas

Florbela Espanca

Se me ponho a cismar em outras eras

Em que ri e cantei, em que era q’rida,

Parece-me que foi noutras esferas,

Parece-me que foi numa outra vida…

E a minha triste boca dolorida

Que dantes tinha o rir das Primaveras,

Esbate as linhas graves e severas

E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago…

Toma a brandura plácida dum lago

O meu rosto de monja de marfim…

E as lágrimas que choro, branca e calma,

Ninguém as vê brotar dentro da alma!

Ninguém as vê cair dentro de mim!

Escreve-me …

Florbela Espanca

Escreve-me!Ainda que seja só

Uma palavra, uma palavra apenas,

Suave como o teu nome e casta

Como um perfume casto d’açucenas!

Escreve-me!Há tanto,há tanto tempo

Que te não vejo, amor!Meu coração

Morreu já,e no mundo aos pobres mortos

Ninguém nega uma frase d’oração!

“Amo-te!”Cinco letras pequeninas,

Folhas leves e tenras de boninas,

Um poema d’amor e felicidade!

Não queres mandar-me esta palavra apenas?

Olha, manda então…brandas…serenas…

Cinco pétalas roxas de saudade…

Florbela Espanca

Eu tenho pena da Lua!

Tanta pena, coitadinha,

Quando tão branca, na rua

A vejo chorar sozinha!…

As rosas nas alamedas,

E os lilases cor da neve

Confidenciam de leve

E lembram arfar de sedas

Só a triste, coitadinha…

Tão triste na minha rua

Lá anda a chorar sozinha …

Eu chego então à janela:

E fico a olhar para a lua…

E fico a chorar com ela! …

Sonhos

Florbela Espanca

Ter um sonho, um sonho lindo,

Noite branda de luar,

Que se sonhasse a sorrir…

Que se sonhasse a chorar…

Ter um sonho, que nos fosse

A vida, a luz, o alento,

Que a sonhar beijasse doce

A nossa boca… um lamento…

Ser pra nós o guia, o norte,

Na vida o único trilho;

E depois ver vir a morte

Despedaçar esses laços!

É pior que ter um filho

Que nos morresse nos braços!

Fonte de  pesquisa:

Jornal de  Poesia.  

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Andréa Motta

Professora de Língua Portuguesa e Literatura no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Professora voluntária de Língua Portuguesa e Redação no Pré-vestibular Comunitário Padre José Maurício Nunes Garcia.

Comentários

  1. Bom dia, meus queridos!

    Chegamos ao grande dia da Blogagem em homenagem a Florbela Espanca.

    Tanto ansiei por este dia, e eis que, por caprichos do acaso, desde sábado estou com problemas sérios de conexão, e hoje estou aqui graças ao PC de uma Lan House… Cheia de vontade de ler os seus posts, que tão carinhosamente estão sendo publicados, mas por hora impossibilitada… A presença do técnico está marcada para hoje às 16.00 h. Espero que tudo volte ao normal para que possa, além de me deliciar com as suas postagens, publicá-las no Interlúdio com Florbela, como uma pequena forma de agradecer pelo carinho de vocês… Conto com a compreensão de todos… Beijos!

    Flor ♥

  2. Florbela é divina e estou hiper feliz de também ter participado desta linda blogagem.
    Hoje a blogosfera exala um doce perfume desta mulher com nome de Flor…bela!
    Beijos e adorei seu post!

  3. Oi, Andréa!

    Vim por causa da blogagem, mas gostei muito do teu espaço! Devo voltar logo que possível!

    Quanto à blogagem…
    Isto é o que eu chamo de uma corrente do bem! Como é que se poderia chamar uma iniciativa que enche de poesia a blogosfera? Aqui está uma excelente oportunidade para que todos conheçam um pouco mais sobre a genial Florbela Espanca.

    Eis um trecho de “Ser poeta”, de Florbela:

    “Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
    Do que os homens! Morder como quem beija!
    É ser mendigo e dar como quem seja
    Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!”

    Parabéns a todos que estão participando!

    Sensata Paranóia

  4. Olá!!
    Que bela surpresa e alegria sinto ao descobrir esse cantinho!!
    Lindo, interessante e rico de poesia, terreno fértil para discussões sobre poesia!
    Te aguardo no meu espaço.
    Abraço.