A escrita na internet e a etiqueta linguística

Quando recebemos   um convite para  uma festa,  pensamos imediatamente em que   tipo de  roupa deveremos  usar; este pensamento nos  vem não apenas  porque queremos parecer  bonitos, mas também porque desejamos causar  boa  impressão nas  pessoas  ao  nosso  redor. Escolhemos, então, roupa e acessórios  adequados  àquele evento. O mesmo  esmero  deve-se  ter no momento em que se  produz  um texto  escrito, principalmente se queremos  mostrá-lo a  todo mundo.

Hoje  temos à nossa disposição  diversos  recursos através dos  quais  deixamos  nossas  mensagens  na  internet:  msn, orkut, email, blogs e tantos  outros. Cada  um deles, no entanto, requer um tipo diferente de  escrita. No MSN,por exemplo,  conversando  com amigos em  tempo real, podemos utilizar  um código lingüístico  bem diferente do que  usaríamos  com o mesmo amigo se lhe enviássemos  um convite de  casamento: usamos   emoticons  em  vez de palavras, abreviações  que substituem  frases inteiras, conjunto de letras que sugerem  nossas risadas , uma infinidade  de  combinações  que nos ajudam a  conversar. No entanto,  não  é adequado usar este tipo de  escrita em  emails, bilhetes, cartas, ou outro tipo de  texto formal, assim como  em   nossos   blogs.

Toda   página na  internet é  dirigida  a  um público-alvo específico; o Conversa  de  Português, por exemplo,  foi criado  para  uma  turma  específica de alunos; no entanto, isso  não significa que somente estes  visitam a  página.  Sendo assim,  apesar de  os principais   leitores serem  adolescentes, não seria adequado  usar aqui uma  linguagem  excessivamente   informal; também  parecia  estranho usar o dito “internetês” ou  o “miguxês” (expressão que aprendi  outro dia) em   um blog sobre língua portuguesa.  Escrever  deste modo parece inadequado  em qualquer  página, pois  a  nossa  expressão  escrita revela  quem somos. Um  texto mal  escrito espanta o leitor, mesmo  que  o  tema  do  nosso  texto seja  muito  interessante.

O  uso  da  língua escrita   é  como  uma roupa que usamos: uma questão de  adequação. Sobre este mesmo assunto, sugiro  a  leitura do texto “Adequação lingüística, uma  questão de  bom senso”, da professora Elaine Duarte, publicado por  Juliana  Sardinha, em seu   blog Dicas  Blogger.

Andréa Motta

Professora de Língua Portuguesa e Literatura no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Professora voluntária de Língua Portuguesa e Redação no Pré-vestibular Comunitário Padre José Maurício Nunes Garcia.

Comentários

  1. Déia, que vergonha!

    Não acredito que vc, Professora de Português, só foi aprender o Miguxês ontem! Os Emos estão invadindo até os pontos turísticos do Rio de Janeiro (vá na Quinta da Boa Vista num sábado de manhã e tenha um AVC como eu tive! Crianças nada, só gente de preto, couro, corrente e franjas)
    Porque a reclamação? Vc tem que ser a mulher de frente, a capa, tem que estar antenada para comandar e banir essa merda de miguxês da face da Terra! 😉
    Adorei o artigo da Elaine Eduarte!

    Bjs n’alma!

  2. Igor, meu querido, você nunca ouviu ou leu a expressão ” não querer ver”? Pois é, eu NÃO quis ver que o miguxês está invadindo a Terra. rsrs
    Beijos pra você!

  3. eu até que tento escrever direitinho, revejo o texto, mas quando publico que releio já no ar, sempre encontro algo errado, isso, quando eu encontro
    valeu!

  4. Andréa, muito legal esse seu outro blog. E vem bem a calhar para alguém como eu que vivo assassinando a língua portuguesa 🙂

    Beijos e ficarei feliz com a inclusão. Aceito perguntas dos seus alunos também viu ?

    beijocas
    Lys